Duas equipes com o mesmo número de técnicos e a mesma jornada podem entregar resultados muito diferentes. A diferença raramente está em quem trabalha mais rápido no local: está em quanto tempo cada uma perde no caminho entre um atendimento e outro. Quando a agenda do dia é montada na ordem em que os chamados chegaram, e não pela geografia, a equipe cruza a cidade de um lado para o outro sem necessidade. Roteirizar é justamente atacar esse desperdício.

O que é roteirização de equipes de campo

Roteirização é o planejamento da melhor sequência de paradas para atender um conjunto de pontos com o menor deslocamento possível. O conceito nasceu na logística de transporte: em 1959, os pesquisadores Dantzig e Ramser formularam o chamado problema de roteamento de veículos ao estudar, na prática, a distribuição de combustível para postos de venda. Desde então, o tema se tornou um dos mais estudados na área de otimização, justamente porque uma boa rota economiza dinheiro em toda operação que precisa visitar vários lugares.

No Field Service, o "veículo" é a equipe técnica e as "entregas" são as ordens de serviço: manutenções, instalações, vistorias, inspeções. A pergunta é a mesma da logística clássica: dados os atendimentos do dia, em que ordem visitá-los, e com quais equipes, para rodar menos e atender mais? Os objetivos típicos de um problema de roteamento incluem minimizar a distância total percorrida, minimizar o tempo de transporte e equilibrar o uso dos recursos, todos diretamente ligados ao custo de operar em campo.

Roteirização não é rastreamento A roteirização acontece antes da saída: define o caminho e a ordem das visitas. O rastreamento acontece durante o dia: mostra onde a equipe está e como a execução avança. Um planeja, o outro acompanha. Operações maduras usam o rastreamento de hoje para roteirizar melhor amanhã.

Por que o deslocamento pesa tanto na operação

Transporte é um dos itens mais caros de qualquer operação que se move. Um levantamento do Instituto Dom Cabral, citado pelo Sebrae, apontou que empresas brasileiras chegaram a gastar cerca de 12% do faturamento anual bruto com custos logísticos, e que os gastos com transporte respondem pela maior fatia desse total. Na literatura sobre roteamento de veículos, estima-se que algo entre 10% e 15% do valor final de produtos e serviços esteja diretamente ligado às despesas de transporte, incluindo combustível, pedágio e manutenção.

Em campo, o deslocamento cobra um preço que vai além do combustível. Cada hora dentro do carro é uma hora em que o técnico não está resolvendo o problema do cliente. Rota mal planejada significa menos atendimentos por dia, mais horas extras, mais desgaste de veículo e janelas de horário estouradas, o que se reflete direto no cumprimento de SLA. Reduzir quilometragem, portanto, não é só cortar custo: é liberar capacidade de atendimento que já existe, mas está presa no trânsito.

Métodos clássicos de roteirização

Antes de qualquer software, vale entender a lógica por trás das rotas. Três métodos são bastante conhecidos na literatura de logística e continuam sendo a base do que os sistemas automatizam hoje:

MétodoIdeia centralQuando ajuda
Economias (Clarke e Wright)Combina paradas próximas para eliminar viagens repetidas e reduzir a distância total da frotaMuitas paradas com restrição de capacidade e tempo
VarreduraAgrupa pontos por setor geográfico e só depois define a ordem dentro de cada grupoGrande volume de pontos espalhados
Caixeiro viajanteBusca a melhor sequência para passar uma vez por cada ponto e voltar à baseRotas com poucas paradas

O método das economias, um dos mais difundidos, tem como objetivo declarado minimizar a distância total percorrida por todos os veículos e, na sequência, reduzir o número de veículos necessários para cobrir todas as paradas. É um bom retrato do que a roteirização persegue: menos caminho, menos recurso, mesma cobertura. Não é preciso dominar a matemática desses algoritmos para se beneficiar deles, mas conhecer a lógica ajuda a cobrar as ferramentas certas e a entender por que uma rota é melhor que outra.

Como reduzir deslocamentos na prática

A boa notícia é que grande parte do ganho vem de decisões simples e disciplina de processo, não de tecnologia sofisticada. Alguns caminhos que funcionam na maioria das operações:

  • Agrupe por região, não por ordem de chegada: monte o dia por proximidade geográfica em vez de atender na sequência em que os chamados entraram.
  • Respeite janelas de horário desde o agendamento: encaixar visitas por bairro e por período evita atravessar a cidade duas vezes no mesmo turno.
  • Aloque a equipe certa para a região certa: usar quem já está mais perto reduz o trajeto e o tempo até o cliente.
  • Reserve folga para imprevistos: uma agenda 100% cheia quebra ao primeiro atraso; margem evita o efeito dominó.
  • Meça a quilometragem e o tempo em trânsito: sem registrar, não há como saber se a rota melhorou. O indicador orienta o ajuste do dia seguinte.
Exemplo prático Uma equipe tem 8 atendimentos espalhados pela cidade. Atendendo na ordem de abertura dos chamados, roda 90 km e faz 6 visitas no dia. Reorganizando as mesmas 8 paradas por proximidade e janela de horário, o trajeto cai para 60 km e sobra tempo para o 7º e o 8º atendimento. Nada mudou na estrutura: mudou a ordem. Esse é o efeito da roteirização.

O que uma boa rota precisa considerar

Reduzir distância não pode virar o único critério, ou a operação otimiza o mapa e quebra o compromisso com o cliente. Uma rota útil equilibra vários fatores ao mesmo tempo:

  • Janelas de tempo: horários em que o cliente pode receber a equipe.
  • Prioridade e urgência: chamados críticos ou com prazo de SLA mais curto vêm primeiro.
  • Competência da equipe: nem todo técnico atende todo tipo de serviço.
  • Tempo de execução: uma visita longa muda tudo que vem depois dela.
  • Resolução na primeira visita: levar peça e informação certas evita a segunda ida, que é o deslocamento mais caro de todos.

Esse último ponto merece atenção. Não adianta desenhar a rota perfeita se o técnico chega sem a peça necessária e precisa voltar outro dia. A rota mais econômica é aquela que não precisa ser refeita, o que conecta a roteirização diretamente à governança de atividades: dados de cadastro corretos, histórico do ativo e formulário de campo bem estruturado.

Erros comuns que sabotam a rota

Boa parte da ineficiência em campo vem menos da complexidade e mais de práticas frágeis de planejamento. Os mais frequentes:

  • Deixar a rota na cabeça de uma pessoa: quando o planejamento depende só da experiência de um colaborador, o conhecimento sai da empresa junto com ele.
  • Planejar tudo no braço: montar rotas manualmente em planilhas é lento e sujeito a erro humano conforme o volume cresce.
  • Deixar o trajeto por conta de cada técnico: sem um plano, cada um escolhe o caminho que lhe convém, não necessariamente o mais curto, e a empresa perde o controle do custo.
  • Encaixar demanda de última hora sem critério: inserir chamados novos sem revisar a sequência infla a quilometragem e estoura horários.
Nota editorial. Os percentuais de custo logístico e de transporte citados vêm de levantamentos de mercado e de estimativas da literatura acadêmica; variam conforme o setor, a região e o período. Os números do exemplo prático são ilustrativos e servem para demonstrar o raciocínio, não como promessa de resultado.

Menos trânsito, mais atendimento

O Phrisma organiza ordens de serviço por região e prioridade, registra o histórico de cada atendimento e dá visibilidade da equipe em campo, a base para planejar rotas melhores e reduzir deslocamento sem depender de planilhas.

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Perguntas frequentes

Não. Embora tenha nascido na distribuição de mercadorias, a mesma lógica de planejar a sequência de paradas para reduzir distância e tempo se aplica a qualquer equipe que atende vários pontos por dia, como técnicos de manutenção, instaladores, fiscais e equipes de vistoria.

A roteirização planeja, antes da saída, qual caminho e qual ordem de atendimento reduzem o deslocamento. O rastreamento acompanha, durante o dia, onde a equipe está e como a execução avança. Os dois se complementam: um define o plano, o outro mostra a realidade para ajustar o próximo.

Operações pequenas conseguem melhorar bastante só organizando os atendimentos por proximidade e janela de horário. Conforme cresce o número de paradas e restrições, métodos manuais perdem eficiência e um sistema com base geográfica passa a entregar rotas melhores em menos tempo.

Fontes e referências

  1. SEBRAE/PR (Comunidade). Gestão de frotas: como aumentar a produtividade e minimizar custos? Dados de custos logísticos atribuídos ao Instituto Dom Cabral. Publicado em 10 mai. 2024. Consultado em 14 jul 2026.
  2. Wikipédia. Problema de roteamento de veículos. Origem em Dantzig e Ramser (1959), funções objetivo e benefícios de sistemas de roteirização. Consultado em 14 jul 2026.
  3. MACEDO, E. S.; SOUZA, E. S.; BIGARAN, R. F. Desafios e técnicas para a roteirização na logística de transportes. XIII FATECLOG, Fatec / Centro Paula Souza, 2022. Consultado em 14 jul 2026.
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