O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou em 2 de julho de 2026 o módulo de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), com dados referentes a 2025. A internet era utilizada em 95,0% dos domicílios particulares permanentes do país, o equivalente a 76,0 milhões de residências, alta de 1,3 ponto percentual ou 2,7 milhões de domicílios em relação a 2024.
No mesmo levantamento, entre as pessoas de 10 anos ou mais que usaram a internet, 41,1% acessaram algum serviço público pela rede. É a maior marca da série, mas continua sendo menos da metade dos usuários, em um país onde a conexão já é quase universal.
O que a pesquisa mostrou
Segundo o IBGE, na população estimada de 186,4 milhões de pessoas de 10 anos ou mais, 90,5% (168,7 milhões) utilizaram a internet nos três meses de referência. É a primeira vez que a média nacional ultrapassa o patamar de 90% desde o início da série, em 2016, quando o índice era de 66,0%.
Entre as finalidades de uso declaradas pelos usuários, o quadro é o seguinte:
- Conversar por chamadas de voz ou vídeo: 95,3%.
- Enviar ou receber mensagens por aplicativos: 90,2%.
- Assistir a vídeos, incluindo programas, séries e filmes: 89,3%.
- Acessar bancos ou outras instituições financeiras: 74,2%.
- Comprar ou encomendar bens ou serviços: 52,7%.
- Utilizar algum serviço público: 41,1%.
O IBGE destaca que serviço público, acesso a bancos e compras foram justamente as finalidades de maior expansão no ano: alta de 2,5, 3,2 e 4,8 pontos percentuais, respectivamente. O uso de serviço público saiu de 38,6% em 2024 para 41,1% em 2025.
Contexto: a conexão deixou de ser o gargalo
Por quase uma década, o indicador que importava era cobertura. Ele ainda importa em parte do território: a diferença entre área urbana e rural no acesso domiciliar caiu de 41,5 pontos percentuais em 2016 (35,0% contra 76,5%) para 7,8 pontos em 2025 (88,0% contra 95,8%), mas não desapareceu, e a disponibilidade de rede móvel na área rural (68,0%) segue distante da urbana.
Ainda assim, a leitura geral mudou. Com 95% dos domicílios conectados, a pergunta relevante passou a ser o que é feito com a conexão. Aqui os números do IBGE são explícitos: entre as pessoas que não usaram a internet, 44,9% alegaram não saber utilizá-la, e entre os idosos que não usaram esse motivo chega a 66,5%. Motivos econômicos, somados, respondem por 9,0%.
Vale separar fato de interpretação. O IBGE mede acesso e finalidade de uso declarada. Ele não avalia a qualidade dos serviços públicos digitais nem afirma por que o índice de 41,1% é o que é. A pesquisa mostra o tamanho da distância entre estar conectado e resolver a vida pela rede; explicar a distância é outra tarefa.
Impacto para quem opera serviços
Para órgãos públicos, o dado tem consequência prática direta. Se a conexão está em 95% dos domicílios e o uso de serviço público está em 41,1%, o problema já não se resolve levando mais banda ao cidadão. Ele se desloca para desenho de serviço: quantos passos o cidadão precisa dar, quantos documentos precisa reunir, se o serviço funciona bem no celular (o meio de 98,7% dos usuários) e se a linguagem é compreensível para quem tem baixa escolaridade, faixa em que o uso da internet cai para 50,1% entre pessoas sem instrução.
Há também um recado sobre canais. A pesquisa deixa claro que o atendimento presencial e telefônico continuará necessário por bastante tempo: 17,7 milhões de pessoas de 10 anos ou mais não usaram a internet em 2025, e 19,1 milhões não tinham celular para uso pessoal. Digitalizar um serviço não é o mesmo que desligar os outros canais.
Para empresas que prestam serviços a órgãos públicos ou operam equipes em campo, o efeito é indireto, porém real: cresce a expectativa de que solicitação, acompanhamento e comprovação aconteçam pela rede, com registro e prazo visíveis. Esse tema é tratado em detalhe em nossa análise sobre digitalização de vistorias de obras públicas e no material sobre transformação digital em pequenas e médias empresas.
Próximos passos
O módulo TIC da PNAD Contínua é anual e o IBGE disponibiliza tabelas, publicação completa e material de apoio da edição de 2025 em seu portal. A próxima edição, com dados de 2026, deve seguir o calendário anual da pesquisa, cuja divulgação tem ocorrido no segundo semestre.
Esta notícia está classificada como atual e será revisada em outubro de 2026, ou antes, caso o IBGE publique retificações ou dados complementares da edição de 2025.
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Conhecer o PhrismaFontes e referências
- IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Brasil). Internet chega a 95% de domicílios do país em 2025. Publicado em 02/07/2026. Português. Fonte oficial primária. Consultado em 14/07/2026. Sustenta: a data da divulgação, os 95,0% e 76,0 milhões de domicílios, a alta de 1,3 p.p., a diferença entre área urbana e rural, a cobertura de rede móvel celular (92,9%, 96,1% e 68,0%) e os motivos de não utilização nos domicílios sem internet.
- IBGE. Proporção de usuários da internet no país ultrapassou 90% da população de 10 anos ou mais, em 2025. Publicado em 02/07/2026. Português. Fonte oficial primária. Consultado em 14/07/2026. Sustenta: os 90,5% e 168,7 milhões de usuários, a série desde 2016, as finalidades de acesso (incluindo os 41,1% de serviço público e a variação de 38,6% para 41,1%), o celular como meio de acesso de 98,7%, os motivos de não utilização entre pessoas, os 17,7 milhões fora da rede e os 19,1 milhões sem celular.
- IBGE. Tabelas: PNAD Contínua TIC (2025) - Acesso à Internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal. Português. Repositório oficial de resultados. Consultado em 14/07/2026. Sustenta: a existência da edição 2025 da pesquisa e o acesso público às tabelas e à publicação completa.
- TELETIME (veículo especializado, Brasil). Proporção de usuários de Internet no Brasil ultrapassa 90% em 2025. Publicado em 02/07/2026. Português. Fonte jornalística de apoio, usada apenas para conferência independente. Consultado em 14/07/2026. Sustenta: a confirmação, por fonte independente, da data da divulgação e dos principais números do módulo TIC.